Jane Schoenbrun leva o horror das telas ao primeiro romance
Por Luna Bela Morte
Hoje volto meu olhar para uma assombração que conhece a intimidade das nossas salas. Public Access Afterworld, primeiro romance de Jane Schoenbrun, tem lançamento em inglês previsto para 27 de outubro de 2026. A edição norte-americana sai pela Hogarth, com 608 páginas. A notícia me interessa pela promessa de um horror que encontra passagem justamente naquilo que mantemos aceso para espantar a solidão: uma tela.

Uma transmissão que atravessa décadas
Segundo a apresentação da editora, a história acompanha David Sawyer e Erin Morrison, adolescentes que, em 2009, assistem à transição da televisão analógica para a digital. Entre os ruídos do sinal, surge uma transmissão misteriosa. Em outra frente da narrativa, Bethany Peters, uma mulher trans que trabalha como moderadora de conteúdo, encontra referências à mesma rede em vídeos que precisa examinar. O nome reaparece como uma senha: Public Access Afterworld.
O medo também cumpre expediente
É Bethany quem mais me intriga nessa premissa. Há algo profundamente perturbador em imaginar alguém obrigada a olhar, noite após noite, para aquilo que os demais preferem não ver. Para mim, essa escolha desloca o terror para uma ferida contemporânea: a violência continua existindo mesmo quando alguém a remove da nossa vista.
Leio a proposta como um convite a pensar no custo humano da nossa aparente tranquilidade digital. A figura da moderadora permite uma pergunta incômoda: quem protege a pessoa encarregada de proteger nossos olhos? Essa é minha interpretação da sinopse, não um julgamento do romance completo.
Do cinema para a página
Schoenbrun vem do cinema de I Saw the TV Glow e We’re All Going to the World’s Fair. A editora apresenta a estreia como uma combinação de horror, ficção especulativa e conspiração. A Hachette também confirma 27 de outubro para a edição britânica. Anoto a data como lançamento internacional em inglês, sem confundi-la com uma edição brasileira.
Por que acompanho esta estreia
Quero ver como essa passagem para a literatura trabalha a espera, a ausência e a intimidade com imagens que parecem nos conhecer. Minha expectativa nasce da premissa anunciada; ainda não é uma recomendação baseada na leitura. O que me atrai é a possibilidade de encontrar um fantasma inteiramente doméstico, alimentado pela nossa atenção. Talvez a sala permaneça vazia quando desligamos o aparelho. Talvez o silêncio apenas tenha aprendido a esperar.

O "Acesso público para o além-vida" (tradução livre), título do livro que motivou a sua interessante matéria, parece vir agradar a um público com ideias afins.
No contexto de seu comentário, Luna, encontramos explicações bastante claras sobre a estreia do romance em questão, o que me dispensa de repeti-las. Contudo, desejo destacar aqui a sua apropriada pergunta, questionadora, sobre quem seria "aquele que protege a pessoa encarregada de proteger nossos olhos?". Ótima a sua coluna no jornal.